{"id":2483,"date":"2025-10-17T08:00:00","date_gmt":"2025-10-17T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/?p=2483"},"modified":"2025-10-12T12:35:42","modified_gmt":"2025-10-12T15:35:42","slug":"recebimento-de-hospitalidades-por-servidores-para-participacao-em-eventos-privados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/recebimento-de-hospitalidades-por-servidores-para-participacao-em-eventos-privados\/","title":{"rendered":"Recebimento de hospitalidades por servidores para participa\u00e7\u00e3o em eventos privados"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Recebimento de hospitalidades por servidores para participa\u00e7\u00e3o em eventos privados: riscos, oportunidades e o limite \u00e9tico nas rela\u00e7\u00f5es com fornecedores<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>Resumo:<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Constitui estrat\u00e9gia comezinha de marketing empresarial das empresas que vendem tecnologia, a promo\u00e7\u00e3o de eventos t\u00e9cnicos e sociais, de natureza comercial, com o objetivo de apresentar seus servi\u00e7os, produtos e solu\u00e7\u00f5es. Frequentemente, para esses eventos, que podem ser feiras de neg\u00f3cio, patrocinados por um <em>pool<\/em> de empresas do mesmo segmento, ou mesmo eventos exclusivos, as empresas patrocinadoras oferecem convites e at\u00e9 mesmo alguns mimos para atrair a aten\u00e7\u00e3o do potencial mercado consumidor. Em que pese essa estrat\u00e9gia ser vista com normalidade no campo do com\u00e9rcio na iniciativa privada quando direcionada ao setor p\u00fablico assume contornos mais sens\u00edveis. Se de um lado a participa\u00e7\u00e3o em eventos dessa natureza \u00e9 importante para os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos para manterem-se atualizados tecnologicamente, por outro, h\u00e1 que se atentar para a observ\u00e2ncia dos princ\u00edpios da transpar\u00eancia, impessoalidade e da moralidade. Conciliar essas duas dimens\u00f5es constitui o principal desafio abordado neste trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>Palavras-chave:<\/u><\/strong> Licita\u00e7\u00e3o. Conflito de interesses. Eventos. Moralidade. Impessoalidade. Riscos. Governan\u00e7a p\u00fablica. <em>Compliance<\/em>. Responsabilidade do agente p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><u>Summary<\/u><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Organizing technical and social events of a commercial nature is a common marketing strategy adopted by technology companies to present their services, products, and solutions. These events \u2014 which may include trade fairs sponsored by a pool of companies in the same sector or exclusive corporate gatherings \u2014 frequently offer invitations and even gifts to attract the attention of potential consumers. Although such practices are considered normal within private sector commerce, when directed toward the public sector they acquire more sensitive implications. On one hand, participation in these events is essential for public agencies to remain technologically up-to-date; on the other, strict adherence to the principles of transparency, impartiality, and morality must be observed. Reconciling these two dimensions constitutes the central challenge addressed in this paper.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em><u>Keywords<\/u><\/em><\/strong><em>: Public procurement; Conflict of interest; Events; Morality; Impartiality; Risk management; Public governance; Compliance; Accountability of public officials.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sum\u00e1rio<\/p>\n\n\n\n<p>1. Linhas introdut\u00f3rias. 2. A pr\u00e1tica usual no mercado para apresenta\u00e7\u00e3o de produtos e capta\u00e7\u00e3o de clientes. 3. O peculiar nicho de mercado governamental. 4. \u00c9tica na participa\u00e7\u00e3o de servidores em feiras e conven\u00e7\u00f5es: os cuidados que devem ser adotados. 5. Principais problemas \u00e9ticos concretos decorrentes da aceita\u00e7\u00e3o de hospitalidades pelos servidores p\u00fablicos. 6. Arcabou\u00e7o normativo que trata do tema. 7. Contraponto: o equil\u00edbrio entre o incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de parcerias do setor p\u00fablico com o setor privado e os princ\u00edpios \u00e9ticos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica 8. Limites legais a serem observados. 9. Conclus\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">1. Linhas introdut\u00f3rias<\/h1>\n\n\n\n<p>A intera\u00e7\u00e3o entre a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica e o setor privado \u00e9 um fen\u00f4meno inevit\u00e1vel e at\u00e9 mesmo desej\u00e1vel para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas e o fortalecimento de setores estrat\u00e9gicos da economia. Nesse contexto, n\u00e3o \u00e9 incomum que servidores p\u00fablicos recebam convites para participar de eventos privados organizados e financiados por empresas fornecedoras de bens e servi\u00e7os para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica. E, n\u00e3o raro, tais convites s\u00e3o acompanhados da oferta de alguma hospitalidade, como ingresso gracioso no evento, passagens a\u00e9reas, hospedagem, alimenta\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo o pagamento de honor\u00e1rios, quando o servidor convidado \u00e9 chamado a proferir uma palestra.<\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de a contrata\u00e7\u00e3o de qualquer de seus produtos deva se dar por meio da realiza\u00e7\u00e3o de procedimento licitat\u00f3rio pr\u00e9vio, o fato \u00e9 que essa parece ser a forma mais direta que as empresas t\u00eam de apresentar seus produtos e solu\u00e7\u00f5es. Afinal, se seus produtos n\u00e3o forem conhecidos, dificilmente ser\u00e3o contratados. Como a licita\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o permite, em regra, a indica\u00e7\u00e3o de marca, exigindo que o Termo de Refer\u00eancia aponte especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que reflitam o produto que poder\u00e1 atender a necessidade de interesse p\u00fablico estampada no documento de formaliza\u00e7\u00e3o da Demanda-DFD<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, novos produtos, materiais e solu\u00e7\u00f5es tendem a n\u00e3o se encaixar em especifica\u00e7\u00f5es antigas, o que inviabilizaria a formula\u00e7\u00e3o de propostas contemplando essas novas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, sem d\u00favida, o recebimento de hospitalidades para participa\u00e7\u00e3o em eventos comerciais como conven\u00e7\u00f5es e feiras de neg\u00f3cio, deve ser vista com cautela, mormente quando o participante convidado \u00e9 um servidor que exerce fun\u00e7\u00f5es na alta administra\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, pelo elevado risco que se abre no sentido do conflito de interesses, justamente pela autoridade que exercem.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">2. A pr\u00e1tica usual no mercado para apresenta\u00e7\u00e3o de produtos e capta\u00e7\u00e3o de clientes.<\/h1>\n\n\n\n<p>O planejamento de a\u00e7\u00f5es \u00e9 requisito b\u00e1sico em qualquer processo de administra\u00e7\u00e3o. Administrar \u00e9 estabelecer uma dire\u00e7\u00e3o de governabilidade na qual dela s\u00e3o componentes intr\u00ednsecos: o planejamento, organiza\u00e7\u00e3o, dire\u00e7\u00e3o e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca dos benef\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o em feiras de neg\u00f3cio e eventos, o SEBRAE reconhece o valor estrat\u00e9gico dessa medida para o fim de aumentar a visibilidade da marca e dos produtos da empresa. Nesse sentido, assim discorre:<\/p>\n\n\n\n<p>Eventos corporativos oferecem uma oportunidade \u00fanica para as empresas aumentarem a visibilidade de suas marcas e captar <em>leads<\/em> qualificados. Essas ocasi\u00f5es permitem intera\u00e7\u00f5es diretas com o mercado, facilitando o estabelecimento de conex\u00f5es comerciais e a compreens\u00e3o de novas tend\u00eancias de mercado.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mas a renomada entidade do Servi\u00e7o Social Aut\u00f4nomo n\u00e3o restringe a import\u00e2ncia das feiras de neg\u00f3cio aos benef\u00edcios para as empresas que colocam seus produtos no mercado de consumo. Tamb\u00e9m os potenciais clientes se servem, e muito, dessas oportunidades, assim arrematando:<\/p>\n\n\n\n<p>Feiras e eventos s\u00e3o mais do que apenas oportunidades de vendas, eles <strong>s\u00e3o necess\u00e1rios para entender melhor as din\u00e2micas do mercado, aprender com os l\u00edderes do setor e testar inova\u00e7\u00f5es em um ambiente real<\/strong>. Aproveitar ao m\u00e1ximo essas oportunidades pode definir o futuro de uma empresa no mercado competitivo atual. (GN)<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a respeitada consultoria <em>Brandme<\/em>, especialista em gest\u00e3o de marca e planejamento estrat\u00e9gico, reconhece que promover e participar de eventos \u00e9 uma das principais estrat\u00e9gias de promo\u00e7\u00e3o da marca de uma empresa e recomenda fortemente que essa a\u00e7\u00e3o deve fazer parte do plano de <em>marketing<\/em> que priorize a exposi\u00e7\u00e3o da marca e a gera\u00e7\u00e3o de demanda, destacando que:<\/p>\n\n\n\n<p>Qualquer evento permite que a marca da empresa, juntamente com seus produtos e servi\u00e7os, sejam degustadas sem dispers\u00e3o e por uma audi\u00eancia altamente qualificada que muitas vezes at\u00e9 paga para participar de um evento focado.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, e considerando que os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos s\u00e3o fortes clientes, \u00e9 for\u00e7oso reconhecer que a participa\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos em uma feira de neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 um mal em si. Muito ao contr\u00e1rio, \u00e9 mesmo desej\u00e1vel a fim de possibilitar que novos produtos, tecnologias e servi\u00e7os possam ser contratados. Para as empresas, atrair potenciais clientes para conhecer suas marcas e produtos \u00e9 uma pr\u00e1tica usual e representa investimento das empresas para que seus produtos e solu\u00e7\u00f5es se tornem conhecidos do mercado consumidor.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">3. O peculiar nicho de mercado governamental.<\/h1>\n\n\n\n<p>Para aquele que se prop\u00f5e a colocar produtos ou servi\u00e7os no mercado de consumo, uma recomenda\u00e7\u00e3o un\u00e2nime entre os especialistas em planejamento estrat\u00e9gico \u00e9 que a empresa deve identificar em qual nicho de mercado ela pretende atuar. Isto porque, o mercado de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 muito amplo. Sem a identifica\u00e7\u00e3o de uma fatia espec\u00edfica desse mercado, a empresa assume o risco de elevar seu investimento em marketing e mesmo assim, n\u00e3o atingir os <em>leads<\/em> qualificados.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Um nicho de mercado pode ser conceituado como uma subdivis\u00e3o espec\u00edfica e rigorosamente delimitada de um mercado mais amplo, composta por um grupo de consumidores que compartilham caracter\u00edsticas socioecon\u00f4micas, comportamentais ou funcionais homog\u00eaneas, cujas necessidades permanecem parcial ou totalmente n\u00e3o atendidas pelas ofertas generalistas dispon\u00edveis. Em termos conceituais, distingue-se do segmento de mercado por sua maior granularidade e especializa\u00e7\u00e3o, implicando estrat\u00e9gias de posicionamento e desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es orientadas para um p\u00fablico-alvo altamente definido.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o consultor Ilan Weinttreich<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, o estabelecimento de um nicho de mercado permite a cria\u00e7\u00e3o de um plano de <em>marketing<\/em> mais personalizado, o que traz vantagens competitivas importante para as empresas, tais como, melhor aloca\u00e7\u00e3o de recursos, cria\u00e7\u00e3o de barreiras competitivas mais altas, inova\u00e7\u00e3o direcionada, entre outras. Com extremo didatismo, autor oferece exemplos de como o estabelecimento de um nicho pode impactar os neg\u00f3cios. Cita que um dentista, buscando reformar seu consult\u00f3rio, provavelmente dar\u00e1 prefer\u00eancia a um arquiteto especializado em ambientes de sa\u00fade, em detrimento de outros profissionais generalistas (usa-se a express\u00e3o <em>n\u00e3o nichados<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando por esse prisma, h\u00e1 de se reconhecer que o mercado governamental representa um nicho bem espec\u00edfico do mercado consumidor, com enorme potencial para atrair o interesse das empresas. Isto porque o Estado, por meio de seus \u00f3rg\u00e3os e entidades vinculados, sem d\u00favida, \u00e9 o maior e mais regular comprador. Segundo dados do Ipea<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, as compras governamentais chegam a atingir o patamar m\u00e9dio de 12,5% do PIB nacional. Em n\u00fameros frios, est\u00e1-se falando em algo superior a R$ 140 bilh\u00f5es de reais em oportunidade de neg\u00f3cio, tomando por base o PIB divulgado para o ano de 2024<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Como o Estado nunca encolhe, ao rev\u00e9s, a tend\u00eancia \u00e9 crescer em servi\u00e7os \u00e0 sociedade, significa que a empresa que escolhe esse nicho de mercado tem \u00e0 frente uma gama enorme de possibilidades comerciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, diferentemente dos nichos de mercado do setor privado, o governamental oferece desafios diversos \u00e0s empresas que querem vender seus servi\u00e7os e produtos aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a venda ao Governo depende, na maioria dos casos, de sucesso em disputas licitat\u00f3rias, e estas, s\u00e3o regidas por um intrincado e complexo conjunto de normas legais, as empresas que se aventuram especializar nesse campo, acabam se especializando t\u00e3o profundamente, que, n\u00e3o raro, passam a atuar exclusivamente para \u00f3rg\u00e3os do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa especializa\u00e7\u00e3o envolve conhecimento sobre a legisla\u00e7\u00e3o, dom\u00ednio das ferramentas de licita\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, habilidades na interpreta\u00e7\u00e3o de editais e termos de refer\u00eancia e tamb\u00e9m no acompanhamento dos contratos. Requer, portanto, alto e espec\u00edfico investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A gest\u00e3o de custos tamb\u00e9m \u00e9 diferenciada. Ao contr\u00e1rio do mercado privado, que admite uma s\u00e9rie de vari\u00e1veis para seus receb\u00edveis (cart\u00e3o de cr\u00e9dito, financiamento, <em>leasing<\/em>, <em>marketplace<\/em>), nas vendas governamentais a regra geral \u00e9 somente receber o valor da fatura ap\u00f3s a entrega do produto ou servi\u00e7o e decorrido certo tempo necess\u00e1rio aos atos de liquida\u00e7\u00e3o da despesa. Sem contar com o risco de atrasos de pagamento, que, infelizmente, n\u00e3o s\u00e3o raros na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas circunst\u00e2ncias, somadas, fazem dessas empresas verdadeiras especialistas em venda governamental. E, claro, para que seus produtos e servi\u00e7os possam ser conhecidos, uma das melhores alternativas \u00e9 o patroc\u00ednio de eventos comerciais tendo como p\u00fablico-alvo, os representantes dos \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">4. \u00c9tica na participa\u00e7\u00e3o de servidores em feiras e conven\u00e7\u00f5es: os cuidados que devem ser tomados<\/h1>\n\n\n\n<p>Muito autores t\u00eam enfrentado o problema \u00e9tico decorrente da intera\u00e7\u00e3o entre o agente p\u00fablico, que det\u00e9m algum poder ou influ\u00eancia e o setor privado, mormente nas rela\u00e7\u00f5es contratuais advindas dessa intera\u00e7\u00e3o. Do direto regulat\u00f3rio, extrai-se a chamada teoria da captura (ou regulat\u00f3ria), que constitui um arcabou\u00e7o cr\u00edtico para entender como o poder regulador do Estado pode ser desviado para servir interesses privados, mesmo sob uma apar\u00eancia formal de legalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal teoria oferece lente privilegiada para interpretar os riscos envolvidos na participa\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos em eventos patrocinados por empresas que mant\u00eam ou pretendem manter rela\u00e7\u00f5es contratuais com o Estado. Desde a formula\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, com George J. Stigler<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, entende-se que agentes reguladores e decisores estatais podem, de forma gradual, alinhar sua atua\u00e7\u00e3o aos interesses dos regulados, em detrimento do interesse coletivo. Richard Posner<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a> distingue a regula\u00e7\u00e3o leg\u00edtima \u2014 orientada ao interesse p\u00fablico \u2014 da \u201ccaptura\u201d, quando a fun\u00e7\u00e3o normativa ou decis\u00f3ria passa a atender aos regulados, mesmo sem ind\u00edcios expl\u00edcitos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto brasileiro, M\u00e1rcio I\u00f3rio Aranha<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a> aproxima a teoria da escolha p\u00fablica do desenho jur\u00eddico-regulat\u00f3rio, alertando que a captura pode ocorrer pela simples internaliza\u00e7\u00e3o, pelo agente, da agenda privada, gerando decis\u00f5es enviesadas. Garnica e Kempfer<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, enfatizam que a independ\u00eancia formal dos \u00f3rg\u00e3os n\u00e3o basta para prevenir a captura, sendo necess\u00e1rio adotar salvaguardas institucionais e crit\u00e9rios de transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando empresas privadas patrocinam eventos, congressos ou treinamentos, o mais das vezes, n\u00e3o oferecem apenas conhecimento t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m hospitalidades \u2014 transporte, hospedagem, alimenta\u00e7\u00e3o ou inscri\u00e7\u00e3o gratuita. Esse patroc\u00ednio tem potencial para criar um v\u00ednculo relacional, que pode configurar \u201ccaptura relacional\u201d ou mesmo \u201ccaptura informacional\u201d, conforme descrevem Pedro Ivo e Delia Rodrigo, citando Levine &amp; Forrence (1990)<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Com isso, abre-se o risco de que a percep\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o, a exposi\u00e7\u00e3o a narrativas comerciais e a assimetria informacional resultante aumentam o risco de que decis\u00f5es administrativas futuras favore\u00e7am, consciente ou inconscientemente, o patrocinador.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">5. Principais problemas \u00e9ticos concretos decorrentes da aceita\u00e7\u00e3o de hospitalidades pelos servidores p\u00fablicos<\/h1>\n\n\n\n<p>Ao receber e aceitar hospitalidades de empresas fornecedoras do Estado, o \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico atrai o risco de quebra de integridade, mormente quando o convidado \u00e9 um servidor que det\u00e9m poder de decis\u00e3o de esfera mais elevada.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Biemmi<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a> ressalta que, na gest\u00e3o de riscos, \u201c\u00e9 imposs\u00edvel eliminar completamente o fator de risco, por isso usamos o termo \u2018mitiga\u00e7\u00e3o\u2019. Nos casos de fraude e corrup\u00e7\u00e3o, essa tarefa se torna ainda mais complexa, pois envolve n\u00e3o apenas processos, controles e sistemas, mas tamb\u00e9m pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor destaca que a intera\u00e7\u00e3o humana \u00e9 um dos principais pontos de vulnerabilidade, como evidenciado em um estudo de 2014 da IBM, que apontou que 95% das falhas cibern\u00e9ticas estavam ligadas a erros humanos. Em outro estudo de 2017 da McKinsey<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a> mostrou que a automa\u00e7\u00e3o de processos pode reduzir drasticamente esses riscos, enfatizando que quanto menor a interven\u00e7\u00e3o humana, menores s\u00e3o os riscos.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto dos processos licitat\u00f3rios, a intera\u00e7\u00e3o humana ainda \u00e9 significativa, o que refor\u00e7a a necessidade de controles internos robustos para mitiga\u00e7\u00e3o dos riscos pr\u00f3prios da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das refer\u00eancias suso indicadas, n\u00e3o causa dificuldade a identifica\u00e7\u00e3o de riscos \u00e9ticos que s\u00e3o inerentes a esse tipo de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A governan\u00e7a p\u00fablica \u00e9 orientada, dentre outros, pelo princ\u00edpio da responsabilidade corporativa (ou socioambiental). Conforme discorre o C\u00f3digo de Boas Pr\u00e1ticas de Governan\u00e7a P\u00fablica-IBCG (2023):<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o deve zelar pela sua perenidade e pelo impacto das suas atividades na sociedade e no meio ambiente, assumindo a responsabilidade por suas a\u00e7\u00f5es e resultados e demonstrando-os \u00e0s partes interessadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a organiza\u00e7\u00e3o deve buscar, al\u00e9m de resultados financeiros favor\u00e1veis, ser e demonstrar ser respons\u00e1vel e transparente, assumindo as consequ\u00eancias de seus atos, prestando contas de de forma ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, o primeiro risco que se identifica quando um servidor recebe hospitalidades de um agente fornecedor do Estado \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o, para os <em>stakeholders<\/em> internos e externos, de favorecimento ou mesmo o conflito de interesse entre as partes. Se o risco se torna um realidade, mesmo n\u00e3o havendo efetiva pr\u00e1tica il\u00edcita, h\u00e1 um preju\u00edzo institucional decorrente da danifica\u00e7\u00e3o da sua marca e da sua legitimidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro risco inerente \u00e9 a poss\u00edvel depend\u00eancia ou gratid\u00e3o impl\u00edcita dirigida a quem forneceu as hospitalidades. Ao ser agraciado, pode ocorrer de o servidor se sentir compelido, de alguma forma, a retribuir o agrado, por exemplo, convidando a empresa patrocinadora a participar, ainda que indiretamente, de decis\u00f5es futuras ou receber informa\u00e7\u00f5es privilegiadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m se abre o risco de ocorr\u00eancia de movimentos de influ\u00eancia da empresa patrocinadora. A empresa pode ter conhecimento pr\u00e9vio da necessidade do \u00f3rg\u00e3o e acabar influenciando exig\u00eancias habilitat\u00f3rias ou especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas que lhes sejam mais favor\u00e1veis, em preju\u00edzo ao princ\u00edpio da livre concorr\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">6. Arcabou\u00e7o normativo que trata do tema<\/h1>\n\n\n\n<p>O arcabou\u00e7o legislativo p\u00e1trio aborda essa quest\u00e3o em diversos textos legais, a come\u00e7ar pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, de 1988. Nela, se v\u00ea estampado no <em>caput <\/em>do seu art. 37, os princ\u00edpios que regem a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica direta e indireta, dentre eles, se destacando, para os fins deste estudo, o da legalidade, da impessoalidade, moralidade e da publicidade e efici\u00eancia. S\u00e3o pontos cardeais que imp\u00f5em seja a atua\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos pautada pela estrita observ\u00e2ncia da lei, pela neutralidade em rela\u00e7\u00e3o a interesses privados, pela \u00e9tica administrativa, pela transpar\u00eancia e pela busca de resultados eficientes para o interesse coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O estatuto do servidor p\u00fablico civil da Uni\u00e3o \u2014 Lei n\u00ba 8.112\/1990 \u2014 prev\u00ea deveres e proibi\u00e7\u00f5es que delimitam a conduta do agente. No contexto do tema em apre\u00e7o, v\u00ea-se especialmente o art. 116, II (ser leal \u00e0s institui\u00e7\u00f5es a que servir) e IX (manter conduta compat\u00edvel com a moralidade administrativa); art. 117, VI (cometer a pessoa estranha \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de atribui\u00e7\u00e3o que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado; ); IX (veda\u00e7\u00e3o ao servidor valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica); e, XII (receber propina, comiss\u00e3o, presente ou vantagem de qualquer esp\u00e9cie, em raz\u00e3o de suas atribui\u00e7\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 8.429\/1992, alterada pela Lei n\u00ba 14.230\/2021, considera ato de improbidade administrativa que atenta contra os princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o \u201creceber vantagem econ\u00f4mica de qualquer natureza, direta ou indireta\u201d em raz\u00e3o das atribui\u00e7\u00f5es do cargo (art. 11, VII). Sendo assim, o recebimento de hospitalidades tais como como passagens, hospedagem ou inscri\u00e7\u00f5es custeadas por empresa privada pode, portanto, a depender da circusnt\u00e2ncia, configurar ato de improbidade, especialmente se houver rela\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, contratual ou fiscalizat\u00f3ria entre o \u00f3rg\u00e3o e a empresa patrocinadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das empresas, a Lei n\u00ba 12.846\/2013 (Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o) prev\u00ea a responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva por atos lesivos contra a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, incluindo oferecer vantagem indevida a agente p\u00fablico (art. 5\u00ba, I). O custeio de viagens ou eventos, sem transpar\u00eancia e sem autoriza\u00e7\u00e3o formal do \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, pode ser interpretado como vantagem indevida, mormente se, posteriormente ao evento, a empresa patrocinadora se beneficiar ilegitimamente de alguma forma em contratos com o \u00f3rg\u00e3o a que pertence o servidor convidado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">7. Contraponto: o equil\u00edbrio entre o incentivo normativo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de parcerias do setor p\u00fablico com o setor privado e os princ\u00edpios \u00e9ticos da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/h1>\n\n\n\n<p>A promo\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o e a busca de maior efici\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos t\u00eam levado o Estado brasileiro a criar mecanismos normativos que favore\u00e7am a coopera\u00e7\u00e3o entre o setor p\u00fablico e o setor privado. Instrumentos como parcerias para inova\u00e7\u00e3o, contratos de colabora\u00e7\u00e3o, modelos de concess\u00f5es e as PPPs (parcerias p\u00fablico-privadas) representam uma evolu\u00e7\u00e3o no paradigma tradicional da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, aproximando-a de pr\u00e1ticas de governan\u00e7a mais modernas.<\/p>\n\n\n\n<p>A come\u00e7ar pela CRFB, que em seu art. 219 reconhece a import\u00e2ncia da ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento nacional sustent\u00e1vel. J\u00e1 o art. 174 prev\u00ea que o Estado exercer\u00e1, como agente normativo e regulador, fun\u00e7\u00f5es de incentivo ao setor privado, harmonizando o desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por lado outro, o marco legal de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, institu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.243\/2016, criou medidas de incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o, prevendo que a Uni\u00e3o, os Estados e os Munic\u00edpios podem fomentar a coopera\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas e o setor empresarial, inclusive mediante compartilhamento de laborat\u00f3rios, equipamentos e recursos humanos. Vale lembrar que no julgamento da ADI n\u00ba 5.152, o STF considerou constitucional o Marco Legal de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, afirmando que a coopera\u00e7\u00e3o entre entes p\u00fablicos e privados \u00e9 compat\u00edvel com os princ\u00edpios constitucionais e necess\u00e1ria para o avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei das Parcerias P\u00fablico-Privadas (Lei n\u00ba 11.079\/2004) \u00e9 outro exemplo de que a legisla\u00e7\u00e3o vem se modernizando com o fito de melhor integrar o Poder P\u00fablico ao setor privado, ao estabelecer normas gerais para a contrata\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es patrocinadas e administrativas, como forma de atrair investimentos privados para infraestrutura e servi\u00e7os p\u00fablicos de interesse coletivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Decreto n\u00ba 10.531\/2020 fixa a Estrat\u00e9gia Nacional de Inova\u00e7\u00e3o, definindo diretrizes para a pol\u00edtica nacional de inova\u00e7\u00e3o, prevendo a amplia\u00e7\u00e3o de ambientes de experimenta\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria (<em>regulatory sandboxes<\/em>) e a integra\u00e7\u00e3o entre setor p\u00fablico e setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve se mencionar as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 parceria entre o segmento privado e o setor governamental. Os contratos de parceria para PD&amp;I (pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o), com regras simplificadas de contrata\u00e7\u00e3o, consubstanciadas no Decreto Federal n\u00ba 9.283\/2018. O fomento direto e indireto, via subven\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, cr\u00e9ditos e incentivos fiscais, institu\u00edda pela Lei n\u00ba 11.196\/2005 (Lei do Bem).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se olvide que a nova Lei de Licita\u00e7\u00f5es e Contratos Administrativos (Lei n\u00ba 14.133\/2021) traz dispositivos expressos para promo\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o (art. 6\u00ba, XXII; art. 79) e introduz institutos voltados ao estreitamento das rela\u00e7\u00f5es entre o poder p\u00fablico e o setor privado, como a audi\u00eancia p\u00fablica (art. 21), o di\u00e1logo competitivo (arts. 32 a 35), o procedimento de manifesta\u00e7\u00e3o de interesse-PMI (art. 81), permitindo que a Administra\u00e7\u00e3o realize intera\u00e7\u00e3o com o mercado para construir solu\u00e7\u00f5es inovadoras antes da licita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E por fim, a Lei Complementar n\u00ba 182\/2021 (Marco Legal das Startups) que disciplina a licita\u00e7\u00e3o para inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, introduzindo o Contrato P\u00fablico de Solu\u00e7\u00e3o Inovadora (CPSI) para testes e o posterior Contrato de Fornecimento sem nova licita\u00e7\u00e3o. A legisla\u00e7\u00e3o busca fomentar o empreendedorismo inovador, permitindo a sele\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que resolvam problemas de interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o a que se chega \u00e9 que o incentivo normativo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de parcerias p\u00fablico-privadas, por se tratar de uma realidade consolidada no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, com respaldo constitucional, deve ser encarada como o ponto de equil\u00edbrio entre o dever de observ\u00e2ncia aos mecanismos de governan\u00e7a, transpar\u00eancia e controle social e o aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo setor privado. A consolida\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam ambientes regulat\u00f3rios inovadores e parcerias estrat\u00e9gicas \u00e9 fundamental para que o Estado cumpra sua fun\u00e7\u00e3o de indutor do desenvolvimento econ\u00f4mico e social, sem abdicar da observ\u00e2ncia aos princ\u00edpios da legalidade, da efici\u00eancia e da moralidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Disso decorre que, n\u00e3o h\u00e1 uma ilegitimidade intr\u00ednseca das pr\u00e1ticas de expedi\u00e7\u00e3o de convites e oferta de hospitalidade a servidores p\u00fablicos. Muito ao contr\u00e1rio, o excesso de rigor na interpreta\u00e7\u00e3o das normas de controle, de modo a inviabilizar por completo que agentes do Poder P\u00fablico possam participar de feiras de neg\u00f3cios, conven\u00e7\u00f5es e outros eventos comerciais e t\u00e9cnicos, conduziria a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por n\u00e3o atuar no segmento econ\u00f4mico, \u00e0 verdadeira estagna\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, ou seja, resultado opostos ao pretendido por todo o arcabou\u00e7o normativo suso citado.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, o que se deve coibir \u00e9 o excesso, o luxo, o capricho, a quebra de integridade. E, para tanto, h\u00e1 mecanismos que, bem observados, s\u00e3o suficientes para resguardar o interesse coletivo, concatenando o interesse do Estado na busca de melhores solu\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">8. Limites legais a serem observados<\/h1>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 12.813\/2013 (Lei de Conflito de Interesses), regulamentada pelo Decreto Federal n\u00ba 10.889\/2021 trata diretamente do tema, regulando a participa\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos do Executivo Federal em audi\u00eancias e sobre a concess\u00e3o de hospitalidades por agente privado, bem como o recebimento de presentes. Tais normas, em resumo, pro\u00edbem o recebimento de presentes por agentes p\u00fablicos oferecidos por quem tenha interesse em decis\u00e3o sua ou de colegiado do qual participe. De outro turno, n\u00e3o s\u00e3o considerados presentes, brindes de pequeno valor e hospitalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos termos do regulamento, s\u00e3o considerados <em>brindes<\/em> os itens de baixo valor econ\u00f4mico e distribu\u00eddo de forma generalizada, como cortesia, propaganda ou divulga\u00e7\u00e3o habitual (agendas, calend\u00e1rios de mesa, canetas etc.). Como baixo valor econ\u00f4mico, entende-se aquele menor que um por cento do teto remunerat\u00f3rio previsto no inciso XI do caput do art. 37 da CRFB, que atualmente est\u00e1 em R$ 46.366,19, em vigor desde 1\u00ba de fevereiro de 2025. Logo, para ser considerado brinde, o item n\u00e3o pode ter valor superior a R$ 463,61.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Hospitalidades<\/em> s\u00e3o servi\u00e7os ou despesas com transporte, alimenta\u00e7\u00e3o, hospedagem, inscri\u00e7\u00e3o em eventos como cursos, semin\u00e1rios ou congressos, feiras ou com atividades de entretenimento, concedidos por agente privado para agente p\u00fablico no interesse institucional do \u00f3rg\u00e3o ou da entidade em que atua.<\/p>\n\n\n\n<p>O recebimento de um item de hospitalidade pelo agente p\u00fablico deve ser autorizado no \u00e2mbito do \u00f3rg\u00e3o ou entidade, de acordo com os crit\u00e9rios estabelecidos no Cap\u00edtulo VI do Decreto n\u00ba 10.889\/2021. Caso o agente p\u00fablico receba hospitalidades em decorr\u00eancia de suas atribui\u00e7\u00f5es, por\u00e9m sem rela\u00e7\u00e3o com o exerc\u00edcio de representa\u00e7\u00e3o institucional, ou seja, sem a devida autoriza\u00e7\u00e3o do seu \u00f3rg\u00e3o ou entidade, essas ser\u00e3o consideradas presentes (a n\u00e3o ser que se enquadrem no conceito de brinde).<\/p>\n\n\n\n<p>O recebimento de hospitalidades deve ser autorizado pela autoridade competente, o que significa que o convite, ainda que dirigido a um servidor, devem ser entendido como institucional, isto \u00e9, deve ser endere\u00e7ado ao \u00f3rg\u00e3o ou entidade, e n\u00e3o de forma direta ao servidor. Al\u00e9m disso, a decis\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o deve ser fundamentada na an\u00e1lise de um conjunto de circunst\u00e2ncias a serem considerados pela autoridade competente.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira delas, \u00e9 que a participa\u00e7\u00e3o do servidor no evento deve ser do interesse institucional do \u00f3rg\u00e3o ou entidade (art. 19, \u00a71\u00ba, I). O patroc\u00ednio da participa\u00e7\u00e3o de um servidor, que ocupa um cargo executivo na \u00e1rea de TI de seu \u00f3rg\u00e3o, em uma feira de tecnologia, em tese, abarca tal condi\u00e7\u00e3o, porquanto seria do interesse do \u00f3rg\u00e3o que este servidor, em raz\u00e3o do cargo que ocupa, tenha conhecimento das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas dispon\u00edveis e, com isso, possa melhor cumprir com seu <em>m\u00fanus<\/em> p\u00fablico. No entanto, se este mesmo servidor \u00e9 convidado para assistir a uma competi\u00e7\u00e3o esportiva, com ingresso gracioso a um camarote com <em>open bar <\/em>e <em>open food<\/em>, n\u00e3o haveria que se falar em interesse institucional a favor do \u00f3rg\u00e3o ou entidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m deve ser objeto de aprecia\u00e7\u00e3o a exist\u00eancia de risco \u00e0 integridade e \u00e0 imagem do \u00f3rg\u00e3o ou da entidade (art. 19, \u00a71\u00ba, II). Assim, a decis\u00e3o dever\u00e1 estar fundamentada em an\u00e1lise t\u00e9cnica de risco, na qual se avaliar\u00e1 o grau de probabilidade e impacto em decorr\u00eancia da eventual decis\u00e3o autorizativa. Ap\u00f3s o cruzamento dessas vari\u00e1veis, se o risco for qualificado como inaceit\u00e1vel, a decis\u00e3o da autoridade dever\u00e1 ser pelo indeferimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto a ser abordado \u00e9 que os itens recebidos devem estar relacionados aos prop\u00f3sitos leg\u00edtimos da representa\u00e7\u00e3o de interesses, em circunst\u00e2ncias apropriadas de intera\u00e7\u00e3o profissional, n\u00e3o devendo caracterizar benef\u00edcio pessoal (art. 19, \u00a72\u00ba, I e III). Podem ser considerados leg\u00edtimos o recebimento de: inscri\u00e7\u00e3o no evento; transporte, mesmo que a\u00e9reo; hospedagem; alimenta\u00e7\u00e3o, durante a realiza\u00e7\u00e3o do evento; materiais t\u00e9cnicos ou de apoio, tais como pastas, blocos, canetas, mostru\u00e1rios etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Escapam a esse conceito e, portanto, podem caracterizar benef\u00edcio pessoal, o recebimento de ingressos para passeios tur\u00edsticos, shows e espet\u00e1culos de entretenimento fora do evento, extens\u00e3o do per\u00edodo de hospedagem para al\u00e9m do per\u00edodo de realiza\u00e7\u00e3o do evento; convites extensivos a acompanhantes; oferta de <em>upgrades<\/em> de transporte ou hospedagem entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a princ\u00edpio leg\u00edtimos, os itens recebidos devem ter valor compat\u00edvel com os padr\u00f5es adotados pela administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal em servi\u00e7os semelhantes e\/ou as hospitalidades ofertadas a outros participantes nas mesmas condi\u00e7\u00f5es (art. 19, \u00a72\u00ba, II). Se o servidor p\u00fablico recebeu transporte a\u00e9reo na primeira classe e os outros palestrantes do mesmo evento receberam bilhetes para classe econ\u00f4mica, restaria configurado o benef\u00edcio pessoal inadmitido pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais destes, devem ser observados outros crit\u00e9rios de legitimidade complementares.<\/p>\n\n\n\n<p>Em homenagem ao dever de transpar\u00eancia, a autoriza\u00e7\u00e3o deve ser registrada e publicada, permitindo escrut\u00ednio interno e externo. Al\u00e9m do interesse institucional, deve estar presente a necessidade funcional, isto \u00e9, a participa\u00e7\u00e3o daquele servidor deve contribuir para o desempenho das suas fun\u00e7\u00f5es. Tomando o exemplo acima, uma feira de neg\u00f3cios de solu\u00e7\u00f5es de TIC pode ser do interesse institucional de um Tribunal de Justi\u00e7a. Mas n\u00e3o faria sentido algum a autoriza\u00e7\u00e3o para recebimento de hospitalidades para participa\u00e7\u00e3o de servidor que tem atua\u00e7\u00e3o diretamente ligada a atividade-fim, <em>e.g.<\/em>, como seria o caso de um assessor de magistrado sem fun\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve se dar especial aten\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio da proporcionalidade, no sentido de que o padr\u00e3o da hospitalidade n\u00e3o pode gerar percep\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio ou vantagem indevida. Tal circunst\u00e2ncia deve ser objeto quando da an\u00e1lise de risco conforme acima indicado.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por \u00f3bvio, aus\u00eancia de contrapartida. O patrocinador n\u00e3o pode condicionar o benef\u00edcio a qualquer decis\u00e3o ou favorecimento, ou ainda \u00e0 deferimento em pleitos administrativos, como concess\u00e3o de revis\u00e3o contratual ou prorroga\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais disso, a participa\u00e7\u00e3o em eventos de interesse institucional pode ser autorizada pela Administra\u00e7\u00e3o, com concess\u00e3o de di\u00e1rias e passagens (Lei n\u00ba 8.112\/1990, art. 58), de modo a evitar que o custeio recaia sobre entes privados e, assim, se preserve a impessoalidade.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">9. Conclus\u00f5es<\/h1>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o de servidores p\u00fablicos em eventos patrocinados por empresas privadas n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, como desej\u00e1vel. Deve, no entanto, respeitar os princ\u00edpios constitucionais, as normas legais e os c\u00f3digos de \u00e9tica aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>A transpar\u00eancia, a autoriza\u00e7\u00e3o formal e o custeio preferencial com recursos p\u00fablicos s\u00e3o medidas essenciais para prevenir conflitos de interesse e proteger a confian\u00e7a da sociedade na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de <em>compliance<\/em> tanto por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos quanto por empresas privadas \u00e9 fundamental para que essa intera\u00e7\u00e3o seja saud\u00e1vel, leg\u00edtima e contribua para o aprimoramento das pol\u00edticas p\u00fablicas e para o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, de forma a conciliar a leg\u00edtima capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do servidor com a preserva\u00e7\u00e3o da imparcialidade de suas decis\u00f5es e opini\u00f5es t\u00e9cnicas, bem como na preserva\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a da sociedade na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso considerado e com base nos princ\u00edpios da Lei n\u00ba 12.813\/2013, do Decreto n\u00ba 10.889\/2021, da jurisprud\u00eancia do TCU e das Diretrizes da OCDE sobre Integridade P\u00fablica, prop\u00f5e-se o seguinte <em>Roteiro<\/em> para balizar as decis\u00f5es sobre pedidos de participa\u00e7\u00e3o em eventos patrocinados por entidades privadas, com a finalidade de se tornar uma ferramenta pr\u00e1tica para preven\u00e7\u00e3o de captura e conflitos de interesse:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roteiro de Autoriza\u00e7\u00e3o de Hospitalidades<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Finalidade Institucional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">O evento ou atividade est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0s atribui\u00e7\u00f5es do \u00f3rg\u00e3o ou do servidor?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A participa\u00e7\u00e3o do servidor gera benef\u00edcio para a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica (capacita\u00e7\u00e3o, troca de informa\u00e7\u00f5es, coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica)?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">&nbsp;Existe documento formal (of\u00edcio, convite, programa) que descreve objetivos e agenda?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Necessidade e Adequa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A presen\u00e7a do servidor \u00e9 necess\u00e1ria (ex.: palestrante, representante oficial, participante t\u00e9cnico)?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A hospitalidade \u00e9 essencial para viabilizar a participa\u00e7\u00e3o (passagem, hospedagem, inscri\u00e7\u00e3o)?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">O padr\u00e3o da hospitalidade \u00e9 compat\u00edvel com a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e n\u00e3o extrapola o razo\u00e1vel (classe econ\u00f4mica, hotel de padr\u00e3o m\u00e9dio, alimenta\u00e7\u00e3o vinculada ao evento)?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Proporcionalidade e Limita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A hospitalidade cobre apenas o per\u00edodo do evento (sem di\u00e1rias extras para lazer)?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">N\u00e3o h\u00e1 extens\u00e3o de benef\u00edcios a familiares ou acompanhantes?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">N\u00e3o inclui itens de lazer ou entretenimento alheios ao prop\u00f3sito institucional?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Integridade e Conflito de Interesses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">O patrocinador \u00e9 ou poder\u00e1 ser fornecedor\/contratado\/regulado pelo \u00f3rg\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">H\u00e1 risco de que a hospitalidade influencie ou pare\u00e7a influenciar decis\u00f5es futuras?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">Existe algum processo administrativo, licita\u00e7\u00e3o ou fiscaliza\u00e7\u00e3o em curso que envolva o patrocinador?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">Caso haja risco, foram adotadas medidas de mitiga\u00e7\u00e3o (declara\u00e7\u00e3o de conflito, registro, substitui\u00e7\u00e3o do participante)?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Transpar\u00eancia e Registro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A proposta de hospitalidade foi registrada no sistema de agendas p\u00fablicas (se aplic\u00e1vel)?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">Haver\u00e1 publica\u00e7\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o e dos benef\u00edcios concedidos, conforme Decreto n\u00ba 10.889\/2021?<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\">A comiss\u00e3o de \u00e9tica ou autoridade competente aprovou formalmente a participa\u00e7\u00e3o antes da viagem?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Decis\u00e3o Final<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\"><strong>Aprovar<\/strong>: se todas as respostas forem \u201csim\u201d e n\u00e3o houver risco relevante de conflito.<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\"><strong>Aprovar com ressalvas<\/strong>: se houver algum risco identificado, mas mitig\u00e1vel (registrar justificativa formal).<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"27\" height=\"26\" src=\"\"><strong>Negar<\/strong>: se houver conflito de interesse, risco n\u00e3o mitig\u00e1vel, benef\u00edcio desproporcional ou aus\u00eancia de pertin\u00eancia com a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>*Luiz Claudio de Azevedo Chaves \u00e9 Administrador P\u00fablico e Jurista, p\u00f3s-graduado em Direito Administrativo. Assessor Especial para Contrata\u00e7\u00f5es de STIC do Tribunal de Justi\u00e7a\/RJ, onde \u00e9 servidor de carreira, com mais de 30 anos de servi\u00e7o. \u00c9 Professor da P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direito da UERJ, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas-FGV\/PROJETOS e da PUC-RIO, al\u00e9m de diversas institui\u00e7\u00f5es de ensino e Escolas de Governo do Pa\u00eds, Autor, dentre outras, das seguintes obras: Curso Pr\u00e1tico de Licita\u00e7\u00f5es, os segredos da Lei 8.666\/93, Lumen Juris, 2011; Licita\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Compra e Venda governamental Para Leigos, Alta Books, 2016; Gerenciamento de Riscos nas Aquisi\u00e7\u00f5es e Contrata\u00e7\u00f5es de Servi\u00e7os da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, ed. JML, 2020; A Atividade de Planejamento e An\u00e1lise de Mercado nas Contrata\u00e7\u00f5es Governamentais, 2\u00aa. ed. F\u00f3rum, 2023; e, Como fixar os requisitos de qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica nas licita\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, ed. F\u00f3rum, 2022. Membro do Conselho Editorial da Revista S\u00cdNTESI \u2013 Direito Administrativo, ed. IOB.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Sobre os artefatos de planejamento da contrata\u00e7\u00e3o, vide o nosso <em>Contrata\u00e7\u00f5es de STIC: o desafio de estabelecer as atribui\u00e7\u00f5es da \u00e1rea requisitante no planejamento da contrata\u00e7\u00e3o e na gest\u00e3o do contrato<\/em>, dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/zenite.blog.br\/contratacoes-de-stic-o-desafio-de-estabelecer-as-atribuicoes-da-area-requisitante-no-planejamento-da-contratacao-e-na-gestao-do-contrato\/\">https:\/\/zenite.blog.br\/contratacoes-de-stic-o-desafio-de-estabelecer-as-atribuicoes-da-area-requisitante-no-planejamento-da-contratacao-e-na-gestao-do-contrato\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Benef\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o em feiras e eventos. Blog SEBRAE <em>digital<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/digital.sebraers.com.br\/blog\/mercado\/beneficios-da-participacao-em-feiras-e-eventos\/\">https:\/\/digital.sebraers.com.br\/blog\/mercado\/beneficios-da-participacao-em-feiras-e-eventos\/<\/a> Acessado em 29\/04\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> <em>In<\/em> Ativando a Marca: Eventos, Feiras e Conven\u00e7\u00f5es. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/brandme.com.br\/7-eventoss\/\">https:\/\/brandme.com.br\/7-eventoss\/<\/a> Acessado em 29\/04\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Um lead qualificado \u00e9 um potencial cliente que demonstra interesse no seu produto ou servi\u00e7o, alinhando-se ao perfil ideal do seu neg\u00f3cio e estando potencialmente pronto para comprar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> <em>In<\/em> Nichos de Mercado: explore esta oportunidade, SEBRAE-RJ, 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/sebrae.com.br\/Sebrae\/Portal%20Sebrae\/UFs\/RJ\/Sebrae%20de%20A%20a%20Z\/Nichos%20de%20mercado%20-%20explore%20esta%20oportunidade%2016.05.pdf\">https:\/\/sebrae.com.br\/Sebrae\/Portal%20Sebrae\/UFs\/RJ\/Sebrae%20de%20A%20a%20Z\/Nichos%20de%20mercado%20-%20explore%20esta%20oportunidade%2016.05.pdf<\/a> Acessado em 06\/08\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>In<\/em>, O Mercado de Compras Governamentais Brasileiro (2006\/2007: mensura\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise. Ipea. Rio de Janeiro, 2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/0e8fcb46-64ec-4d26-ba99-29a70492e3d4\/content\">https:\/\/repositorio.ipea.gov.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/0e8fcb46-64ec-4d26-ba99-29a70492e3d4\/content<\/a> Acessado em 06\/08\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Vide <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/42774-pib-cresce-3-4-em-2024-e-fecha-o-ano-em-r-11-7-trilhoes\">https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/42774-pib-cresce-3-4-em-2024-e-fecha-o-ano-em-r-11-7-trilhoes<\/a> Acessado em 06\/08\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> STIGLER, George J. <em>The Theory of Economic Regulation<\/em>, Revista Bell de Economia e Ci\u00eancia da Gest\u00e3o, Vol. 2, No. 1, pp. 3-21 (19 p\u00e1ginas) 1971.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> POSNER, Richard A. The Concept of Regulatory Capture, Cambridge University Press, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> ARANHA, M\u00e1rcio Iorio. <em>Teoria Jur\u00eddica da Regula\u00e7\u00e3o: entre a Escolha P\u00fablica e a Captura. <\/em>RDU \u2013 v. 1, n\u00ba 1 (jul.\/set. 2003), p\u00e1gs. 11-37.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> GARNICA, Vitor Gabriel e KEMPFER, Marlene. <em>O fen\u00f4meno da captura e a independ\u00eancia das ag\u00eancias reguladoras no Brasil<\/em>. Revista Brasileira de Filosofia do Direito, Bel\u00e9m, v. 5, n\u00ba 2, pp 43-60, jul\/dez 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> RAMALHO, Pedro Ivo Sebba e RODRIGO, Delia. <em>Interesses e Influ\u00eancia: Participa\u00e7\u00e3o das Partes Interessadas no Processo Regulat\u00f3rio<\/em>, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scirp.org\/journal\/paperinformation?paperid=120582\">https:\/\/www.scirp.org\/journal\/paperinformation?paperid=120582<\/a> Acessado em 18\/08\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>Fraudes em Licita\u00e7\u00f5es e Contratos P\u00fablicos<\/em> \u2013 Como Identificar e Prevenir. Dispon\u00edvel em: https:\/\/lec.com.br\/fraudes-em-licitacoes-e-contratos-publicos-como-identificar-e-prevenir\/ Acessado em 19\/09\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/propmark.com.br\/mckinsey-mostra-que-automacao-vai-modificar-profissoes\/#:~:text=Estudo%20da%20McKinsey%20mostra%20que%20cerca%20de,das%20atividades%20humanas%20podem%20ser%20totalmente%20automatizadas\">https:\/\/propmark.com.br\/mckinsey-mostra-que-automacao-vai-modificar-profissoes\/#:~:text=Estudo%20da%20McKinsey%20mostra%20que%20cerca%20de,das%20atividades%20humanas%20podem%20ser%20totalmente%20automatizadas<\/a>. Acessado em 22\/09\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/conhecimento.ibgc.org.br\/Paginas\/Publicacao.aspx?PubId=24640\">https:\/\/conhecimento.ibgc.org.br\/Paginas\/Publicacao.aspx?PubId=24640<\/a> Acessado em 22\/09\/2025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebimento de hospitalidades por servidores para participa\u00e7\u00e3o em eventos privados: riscos, oportunidades e o limite \u00e9tico nas rela\u00e7\u00f5es com fornecedores [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":2484,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[453,748],"tags":[],"coauthors":[55],"class_list":["post-2483","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-governanca","category-licitacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2483"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2487,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2483\/revisions\/2487"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2484"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2483"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}