{"id":2541,"date":"2025-12-05T08:00:00","date_gmt":"2025-12-05T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/?p=2541"},"modified":"2025-12-05T11:04:21","modified_gmt":"2025-12-05T14:04:21","slug":"acordao-2553-2025-nomenclatura-interna-x-termos-de-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/acordao-2553-2025-nomenclatura-interna-x-termos-de-mercado\/","title":{"rendered":"Ac\u00f3rd\u00e3o 2553\/2025: Nomenclatura Interna X Termos de Mercado"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2553\/2025 do Plen\u00e1rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) oferece diretrizes cruciais para as empresas estatais, regidas pela Lei 13.303\/2016, no equil\u00edbrio entre a discricionariedade gerencial e os princ\u00edpios da publicidade e competitividade.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o, proferida no \u00e2mbito do TC 014.430\/2025-8, julgou <strong>improcedente<\/strong> uma representa\u00e7\u00e3o contra a Caixa Econ\u00f4mica Federal. O cerne da controv\u00e9rsia foi a decis\u00e3o da estatal de alterar a nomenclatura do objeto de uma licita\u00e7\u00e3o \u2014 de um termo consagrado pelo mercado (&#8220;almoxarifado virtual&#8221;) para uma nomenclatura interna (&#8220;opera\u00e7\u00e3o do processo MATERIAIS.CAIXA&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a representa\u00e7\u00e3o tenha sido afastada, a an\u00e1lise do TCU resultou em <strong>recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong> significativas, estabelecendo um precedente sobre o &#8220;\u00f4nus de dilig\u00eancia&#8221; do licitante e a correta metodologia de aferi\u00e7\u00e3o da vantajosidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise do Ac\u00f3rd\u00e3o pode ser dividida em tr\u00eas pilares centrais: a legalidade da publicidade, o \u00f4nus do licitante e a aferi\u00e7\u00e3o da vantajosidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. A Sufici\u00eancia da Publicidade e o Dever de Motiva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A representante alegou que a mudan\u00e7a no nome do objeto prejudicou a publicidade e a competitividade, impedindo que seus sistemas automatizados (rob\u00f4s) localizassem o edital. Isso teria resultado em baixa competi\u00e7\u00e3o (apenas duas propostas) e um desconto de apenas 3,49%.<\/p>\n\n\n\n<p>O TCU, contudo, <strong>afastou a irregularidade<\/strong> com base em tr\u00eas constata\u00e7\u00f5es da estatal:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Motiva\u00e7\u00e3o Interna:<\/strong> A escolha da nomenclatura &#8220;MATERIAIS.CAIXA&#8221; n\u00e3o foi arbitr\u00e1ria. Foi resultado de um processo decis\u00f3rio interno, formal e motivado, visando criar uma identidade institucional para um processo log\u00edstico que era, de fato, mais abrangente que o simples &#8220;almoxarifado virtual&#8221;.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Publica\u00e7\u00e3o Legal:<\/strong> A publicidade legal foi cumprida com a divulga\u00e7\u00e3o do aviso no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) e no portal da pr\u00f3pria entidade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Presen\u00e7a do Termo no Edital:<\/strong> Fator decisivo, o TCU verificou que, embora o <em>aviso<\/em> usasse o termo interno, a express\u00e3o &#8220;almoxarifado virtual&#8221; <strong>permaneceu presente<\/strong> no Termo de Refer\u00eancia (TR) e demais anexos. Isso garantiu o acesso dos interessados \u00e0 defini\u00e7\u00e3o precisa do objeto, cumprindo a S\u00famula-TCU 177.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>2. O \u00d4nus de Dilig\u00eancia do Licitante<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o traz um importante posicionamento do Relator sobre a responsabilidade do particular. Foi destacado que o dever de publicidade da Administra\u00e7\u00e3o <strong>n\u00e3o exime os licitantes de seu &#8220;\u00f4nus de dilig\u00eancia&#8221;<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o deixa claro que as empresas interessadas em contratar com o Poder P\u00fablico devem manter uma sistem\u00e1tica <em>ativa e abrangente<\/em> de monitoramento, utilizando m\u00faltiplos par\u00e2metros de busca. A eventual falha de &#8220;pesquisas automatizadas restritas a uma palavra-chave espec\u00edfica&#8221; n\u00e3o pode ser imputada como v\u00edcio de publicidade da estatal, desde que esta tenha cumprido os requisitos formais de publica\u00e7\u00e3o (DOU e portal) e detalhado o objeto no TR.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. A Vantajosidade e a Metodologia do Or\u00e7amento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de preju\u00edzo, baseada no baixo desconto obtido (3,49%), foi o ponto mais sens\u00edvel. A estatal, no entanto, conseguiu defender sua contrata\u00e7\u00e3o ao demonstrar a <strong>robustez do seu or\u00e7amento de refer\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A Caixa justificou que o valor estimado (R$ 200 milh\u00f5es) j\u00e1 estava &#8220;comprimido&#8221;. A metodologia de c\u00e1lculo utilizou o <em>menor pre\u00e7o<\/em> obtido em tr\u00eas fontes independentes: o Banco de Pre\u00e7os de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, or\u00e7amentos de consulta p\u00fablica e pre\u00e7os de contratos vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O TCU acatou a justificativa, entendendo que um desconto modesto (3,49%) sobre um or\u00e7amento j\u00e1 aderente e rigorosamente alinhado aos menores pre\u00e7os de mercado (metodologia alinhada \u00e0 jurisprud\u00eancia do TCU) se apresenta razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o: As Recomenda\u00e7\u00f5es e o Aperfei\u00e7oamento da Gest\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de julgar a representa\u00e7\u00e3o improcedente, o TCU n\u00e3o considerou a pr\u00e1tica da estatal ideal. A decis\u00e3o encerra com duas recomenda\u00e7\u00f5es cruciais (art. 11 da Resolu\u00e7\u00e3o-TCU 315\/2020) que sinalizam o caminho para o aperfei\u00e7oamento da governan\u00e7a nas estatais:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Recomenda\u00e7\u00e3o (Boa Pr\u00e1tica de Mercado):<\/strong> Foi recomendado que a estatal, em futuras licita\u00e7\u00f5es, <strong>adote o uso de terminologias consagradas pelo mercado<\/strong> na descri\u00e7\u00e3o do objeto, especialmente nos <em>avisos de licita\u00e7\u00e3o<\/em>. O objetivo \u00e9 ampliar o alcance da divulga\u00e7\u00e3o e maximizar a competitividade, mesmo que a pr\u00e1tica atual n\u00e3o tenha sido considerada ilegal.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Recomenda\u00e7\u00e3o (Vantajosidade na Prorroga\u00e7\u00e3o):<\/strong> Dado o &#8220;reduzido desconto&#8221;, o TCU recomendou que, caso a estatal opte por <strong>prorrogar o contrato<\/strong>, ela deve adotar &#8220;medidas rigorosas&#8221; para atestar a vantajosidade da continuidade do ajuste, observando o Art. 31 da Lei 13.303\/2016.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o 2553\/2025, portanto, valida a discricionariedade da estatal em definir seus processos internos (desde que motivada), ao mesmo tempo em que refor\u00e7a o dever de dilig\u00eancia do licitante. Contudo, deixa um claro recado: a busca pela vantajosidade exige n\u00e3o apenas o cumprimento do m\u00ednimo legal, mas a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas que fomentem a m\u00e1xima competi\u00e7\u00e3o poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Tribunal de Contas da Uni\u00e3o. Plen\u00e1rio. <strong>Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2553\/2025<\/strong>. Processo TC 014.430\/2025-8. Representa\u00e7\u00e3o sobre poss\u00edveis irregularidades na Licita\u00e7\u00e3o Caixa (LC) 96\/2025. Relator: Ministro Bruno Dantas. Sess\u00e3o de 29 de outubro de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>#LeiDasEstatais<\/p>\n\n\n\n<p>#TCU<\/p>\n\n\n\n<p>#PublicidadeEmLicita\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Introdu\u00e7\u00e3o O Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2553\/2025 do Plen\u00e1rio do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) oferece diretrizes cruciais para as empresas [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":2570,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"coauthors":[755],"class_list":["post-2541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2541"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2541\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2543,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2541\/revisions\/2543"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2541"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}