{"id":2623,"date":"2026-01-20T15:45:45","date_gmt":"2026-01-20T18:45:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/?p=2623"},"modified":"2026-03-02T13:46:42","modified_gmt":"2026-03-02T16:46:42","slug":"decisao-tcu-arranjo-aberto-no-pat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/decisao-tcu-arranjo-aberto-no-pat\/","title":{"rendered":"Decis\u00e3o TCU: Arranjo Aberto no PAT"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Roberta Luanda Ambr\u00f3sio<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tema: Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o do Trabalhador (PAT), Arranjos de Pagamento (Aberto vs. Fechado), Discricionariedade Administrativa e Inova\u00e7\u00f5es Tecnol\u00f3gicas em Editais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. RESUMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O presente estudo t\u00e9cnico tem por objetivo analisar, em profundidade, os impactos e os fundamentos da recente decis\u00e3o do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) materializada no <strong>Ac\u00f3rd\u00e3o 2612\/2025 \u2013 Plen\u00e1rio<\/strong> . A decis\u00e3o representa um marco na interpreta\u00e7\u00e3o das normas que regem o &#8220;Novo PAT&#8221; (Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o do Trabalhador), especificamente no que tange \u00e0 liberdade dos gestores p\u00fablicos e entidades paraestatais (Sistema S) em definir o modelo de arranjo de pagamento \u2014 aberto ou fechado \u2014 em seus procedimentos licitat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal, ao julgar improcedente uma representa\u00e7\u00e3o que questionava a exig\u00eancia exclusiva de arranjo aberto, consolidou o entendimento de que a escolha do modelo se insere na esfera da discricionariedade motivada da Administra\u00e7\u00e3o . Al\u00e9m disso, validou exig\u00eancias tecnol\u00f3gicas acess\u00f3rias, como aplicativos de consulta, mesmo diante de alega\u00e7\u00f5es de incompatibilidade t\u00e9cnica por parte de operadores tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O REGULAT\u00d3RIA: O &#8220;NOVO PAT&#8221; E A FLEXIBILIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender a magnitude da decis\u00e3o, \u00e9 imperativo revisitar o cen\u00e1rio regulat\u00f3rio. O Decreto n\u00ba 10.854\/2021, regulamentado pela Portaria MTP n\u00ba 672\/2021 e alterado pela Lei n\u00ba 14.442\/2022, introduziu mudan\u00e7as estruturais no mercado de benef\u00edcios. O objetivo legislativo foi claro: fomentar a concorr\u00eancia, quebrar o duop\u00f3lio hist\u00f3rico de grandes operadoras de arranjo fechado e introduzir a interoperabilidade e a portabilidade .<\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Art. 174 do Decreto 10.854\/2021<\/strong> \u00e9 o dispositivo central desta discuss\u00e3o. Ele estabelece que o servi\u00e7o de pagamento de alimenta\u00e7\u00e3o deve ser operacionalizado por meio de arranjo de pagamento, podendo este ser <strong>aberto ou fechado<\/strong>. A legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o imp\u00f4s uma hierarquia entre os modelos, nem obrigou a Administra\u00e7\u00e3o a aceitar ambos simultaneamente (modelo h\u00edbrido). Criou-se, portanto, um ambiente onde a escolha da solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica deve ser pautada pela efici\u00eancia, economicidade e melhor experi\u00eancia para o usu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. ESTUDO DE CASO: A DIN\u00c2MICA DO CONFLITO LICITAT\u00d3RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.1. O Objeto da Contrata\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso concreto envolveu um Chamamento P\u00fablico realizado por uma entidade regional do Sistema S para a contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de gerenciamento, emiss\u00e3o e fornecimento de vales-alimenta\u00e7\u00e3o. O valor estimado da contrata\u00e7\u00e3o, superior a R$ 20 milh\u00f5es, denota a relev\u00e2ncia material e o impacto no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.2. A Modelagem do Edital<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O edital inovou ao estabelecer, como condi\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, que o servi\u00e7o fosse prestado <strong>exclusivamente por meio de arranjo de pagamento aberto<\/strong>. Isso significa que os cart\u00f5es fornecidos deveriam operar sob bandeiras de ampla aceita\u00e7\u00e3o (como Visa, Mastercard, Elo), permitindo o uso em qualquer estabelecimento credenciado \u00e0quela bandeira, independentemente de conv\u00eanio direto com a operadora do benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.3. As Teses da Representa\u00e7\u00e3o (Impugna\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma empresa do segmento de administra\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios, tradicional operadora de arranjos fechados, ingressou com representa\u00e7\u00e3o no TCU alegando duas irregularidades principais:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Restri\u00e7\u00e3o \u00e0 Competitividade:<\/strong> A veda\u00e7\u00e3o ao modelo de arranjo fechado seria ilegal, pois a legisla\u00e7\u00e3o (Lei 6.321\/1976 e Lei 14.442\/2022) permite ambas as modalidades. A exig\u00eancia exclusiva do modelo aberto alijaria do certame empresas aptas e legais.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Incompatibilidade T\u00e9cnica (A Quest\u00e3o do App):<\/strong> O edital exigia a disponibiliza\u00e7\u00e3o de um aplicativo para consulta da rede credenciada. A representante argumentou que, no arranjo aberto, n\u00e3o existe uma &#8220;rede credenciada&#8221; fixa gerida pela operadora, mas sim uma rede abrangente da bandeira. Logo, exigir uma lista de credenciados via App seria tecnicamente incompat\u00edvel e uma barreira artificial \u00e0 entrada.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>4. AN\u00c1LISE COMPARATIVA: ARRANJO ABERTO VS. ARRANJO FECHADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o do TCU aprofundou-se nas distin\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e econ\u00f4micas entre os dois modelos, fundamentando por que a escolha pelo arranjo aberto pode ser vantajosa para a Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4.1. O Modelo de Arranjo Fechado (Tradicional)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Funcionamento:<\/strong> A empresa emissora do cart\u00e3o precisa credenciar, um a um, os estabelecimentos comerciais (restaurantes e mercados). O cart\u00e3o s\u00f3 passa nas m\u00e1quinas onde h\u00e1 esse credenciamento espec\u00edfico.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Limita\u00e7\u00f5es:<\/strong> Gera &#8220;ilhas&#8221; de aceita\u00e7\u00e3o. Um restaurante pode aceitar o vale da empresa A, mas n\u00e3o da empresa B.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estrutura de Custos:<\/strong> Historicamente, este modelo opera com taxas administrativas (rebate) agressivas para a contratante, mas compensa cobrando taxas elevadas (MDR) dos estabelecimentos comerciais, que podem ultrapassar 7%.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>4.2. O Modelo de Arranjo Aberto (Inova\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Funcionamento:<\/strong> Utiliza a infraestrutura de pagamentos existente (trilhos de cart\u00f5es de cr\u00e9dito\/d\u00e9bito). O cart\u00e3o \u00e9 aceito em qualquer terminal (POS) que processe a bandeira.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Vantagens:<\/strong> Interoperabilidade total. O usu\u00e1rio n\u00e3o depende de o restaurante se cadastrar na operadora do seu benef\u00edcio; basta que o estabelecimento aceite a bandeira.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estrutura de Custos:<\/strong> As taxas tendem a se equiparar \u00e0s de cart\u00f5es de cr\u00e9dito\/d\u00e9bito comuns, girando em torno de 2%. Isso reduz o custo sist\u00eamico da alimenta\u00e7\u00e3o, beneficiando indiretamente o poder de compra do trabalhador.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>5. FUNDAMENTA\u00c7\u00c3O DA DEFESA E O PRINC\u00cdPIO DA DISCRICIONARIEDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A entidade contratante apresentou uma defesa robusta, acatada integralmente pela Corte de Contas. A argumenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se baseou em prefer\u00eancias subjetivas, mas em <strong>sete pilares t\u00e9cnicos<\/strong> que justificaram a op\u00e7\u00e3o exclusiva pelo arranjo aberto:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Est\u00edmulo \u00e0 Competitividade:<\/strong> Abertura do certame para novos entrantes (fintechs, bancos), quebrando o oligop\u00f3lio tradicional.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Isonomia:<\/strong> Regras claras e universais de aceita\u00e7\u00e3o, evitando distor\u00e7\u00f5es onde uma operadora tem rede melhor em uma regi\u00e3o e pior em outra.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Mitiga\u00e7\u00e3o de Riscos (Lock-in):<\/strong> Redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de um fornecedor espec\u00edfico e sua rede propriet\u00e1ria.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Seguran\u00e7a Operacional:<\/strong> Utiliza\u00e7\u00e3o de protocolos de seguran\u00e7a padronizados da ind\u00fastria de cart\u00f5es (EMV).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Escalabilidade:<\/strong> Capacidade de absorver aumentos de demanda sem necessidade de novas campanhas de credenciamento de estabelecimentos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Uniformidade Nacional:<\/strong> Garantia de que um funcion\u00e1rio em viagem ou em filial remota ter\u00e1 a mesma facilidade de uso que um da matriz.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Transpar\u00eancia:<\/strong> Maior clareza nas taxas e transa\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>O TCU entendeu que essas justificativas atendem ao princ\u00edpio da motiva\u00e7\u00e3o dos atos administrativos. A discricionariedade, aqui, n\u00e3o \u00e9 arbitr\u00e1ria, mas uma escolha t\u00e9cnica fundamentada na busca pela proposta mais vantajosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. O DEBATE SOBRE A EXIG\u00caNCIA DO APLICATIVO (APP)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos pontos mais t\u00e9cnicos e instrutivos do ac\u00f3rd\u00e3o refere-se \u00e0 suposta incompatibilidade do App de consulta em arranjos abertos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6.1. O Argumento da Inviabilidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A representante alegou que, como no arranjo aberto a rede \u00e9 a da bandeira (milh\u00f5es de estabelecimentos), seria imposs\u00edvel ou in\u00f3cuo manter um App com lista de credenciados, e que tal exig\u00eancia visava apenas direcionar a licita\u00e7\u00e3o para quem j\u00e1 possu\u00eda tal ferramenta &#8220;legada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6.2. A Vis\u00e3o do TCU: Foco na Experi\u00eancia do Usu\u00e1rio (UX)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Tribunal rejeitou a alega\u00e7\u00e3o de incompatibilidade. O entendimento foi de que a tecnologia deve servir ao usu\u00e1rio. Mesmo em arranjos abertos, o trabalhador precisa saber onde pode comer. Al\u00e9m disso, o App n\u00e3o serve apenas para consultar rede, mas \u00e9 um <strong>hub de servi\u00e7os essenciais<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Consulta de saldo em tempo real;<\/li>\n\n\n\n<li>Extrato de utiliza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Bloqueio e desbloqueio de cart\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>Gest\u00e3o de senha.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o refor\u00e7ou que a Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode renunciar a funcionalidades que garantam a usabilidade do benef\u00edcio em nome de uma suposta simplifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica para o fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6.3. A Solu\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica: Flexibiliza\u00e7\u00e3o na Habilita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o ferir a competitividade, a solu\u00e7\u00e3o validada pelo TCU foi engenhosa: manteve-se a exig\u00eancia do App como obriga\u00e7\u00e3o contratual (fase de execu\u00e7\u00e3o), mas flexibilizou-se a comprova\u00e7\u00e3o na fase de habilita\u00e7\u00e3o. As empresas puderam apresentar uma <strong>declara\u00e7\u00e3o de abrang\u00eancia da bandeira<\/strong> em vez de uma lista exaustiva de estabelecimentos. Isso harmonizou a exig\u00eancia t\u00e9cnica com a realidade operacional dos arranjos abertos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. AN\u00c1LISE DA JURISPRUD\u00caNCIA E PRECEDENTES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o 2612\/2025 n\u00e3o \u00e9 um ato isolado, mas a consolida\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia. O Voto do Relator faz refer\u00eancia expressa a outros julgados que constroem essa linha de racioc\u00ednio:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Ac\u00f3rd\u00e3o 6.615\/2025 \u2013 1\u00aa C\u00e2mara:<\/strong> J\u00e1 havia sinalizado que a veda\u00e7\u00e3o ao arranjo aberto (ou fechado) \u00e9 l\u00edcita, desde que justificada. Neste caso pret\u00e9rito, uma entidade justificou a escolha pelo <em>arranjo fechado<\/em> para ter maior controle sobre o uso indevido do benef\u00edcio, o que tamb\u00e9m foi aceito.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Decis\u00f5es de Tribunais de Contas Estaduais (TCE\/MG):<\/strong> O ac\u00f3rd\u00e3o cita entendimento do TCE\/MG que corrobora a tese de que a escolha do arranjo est\u00e1 no campo da discricionariedade, e que taxas negativas (comuns em licita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas) s\u00e3o l\u00edcitas pois visam a economicidade.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>S\u00edntese Jurisprudencial:<\/strong> O TCU n\u00e3o define qual \u00e9 o &#8220;melhor&#8221; modelo (aberto ou fechado). O TCU define que <strong>quem escolhe \u00e9 o gestor<\/strong>, desde que apresente um estudo t\u00e9cnico preliminar robusto comparando as op\u00e7\u00f5es e justificando a escolha sob a \u00f3tica do interesse p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>8. IMPACTOS ECON\u00d4MICOS E DE MERCADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o tem profundas implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas para o ecossistema de benef\u00edcios:<\/p>\n\n\n\n<ol start=\"1\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Redu\u00e7\u00e3o de Custos para a Cadeia:<\/strong> A valida\u00e7\u00e3o do arranjo aberto pressiona o mercado a reduzir as taxas de interc\u00e2mbio e MDR (Merchant Discount Rate). Se o setor p\u00fablico massificar o uso de arranjos abertos (taxas de ~2%), o modelo fechado (taxas de ~7%) perder\u00e1 competitividade ou precisar\u00e1 se adaptar.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Fim da Reserva de Mercado:<\/strong> Empresas que baseavam seu diferencial competitivo apenas na exclusividade de sua rede credenciada propriet\u00e1ria ter\u00e3o que inovar. A &#8220;rede&#8221; deixou de ser um ativo diferencial para se tornar uma <em>commodity<\/em> (a rede da bandeira).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Abertura para Fintechs:<\/strong> Bancos digitais e fintechs, que nativamente operam com arranjos abertos, ganham seguran\u00e7a jur\u00eddica para disputar grandes contratos p\u00fablicos antes restritos \u00e0s operadoras tradicionais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p><strong>9. RECOMENDA\u00c7\u00d5ES ESTRAT\u00c9GICAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com base na an\u00e1lise exaustiva do ac\u00f3rd\u00e3o, apresentamos recomenda\u00e7\u00f5es direcionadas aos diferentes <em>stakeholders<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9.1. Para Gestores P\u00fablicos e do Sistema S<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 Tudo:<\/strong> Ao elaborar o Termo de Refer\u00eancia, dedique um cap\u00edtulo espec\u00edfico para justificar a escolha do arranjo. Utilize os 7 argumentos validados pelo TCU (competitividade, isonomia, seguran\u00e7a, etc.) como base.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estudos Preliminares:<\/strong> Anexe pesquisas de mercado que demonstrem as taxas praticadas em cada modelo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Exig\u00eancias Tecnol\u00f3gicas:<\/strong> Mantenha a exig\u00eancia de Apps e plataformas de gest\u00e3o, mas certifique-se de que os crit\u00e9rios de habilita\u00e7\u00e3o (como a comprova\u00e7\u00e3o de rede) sejam compat\u00edveis com a natureza do arranjo escolhido (declara\u00e7\u00e3o de bandeira vs. lista de CNPJs).<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>9.2. Para Departamentos Jur\u00eddicos (Consultivo e Contencioso)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Na Defesa de Editais:<\/strong> Utilize o Ac\u00f3rd\u00e3o 2612\/2025 como precedente paradigma para afastar impugna\u00e7\u00f5es que alegam &#8220;direcionamento&#8221; apenas pela escolha do arranjo aberto.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Na Impugna\u00e7\u00e3o de Editais:<\/strong> Se o objetivo for questionar a escolha do arranjo, o foco n\u00e3o deve ser a ilegalidade da escolha em si, mas a <strong>aus\u00eancia ou fragilidade da motiva\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong>. A simples veda\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ilegal; a falta de porque, sim.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>9.3. Para Empresas Licitantes (Operadoras)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Adapta\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica:<\/strong> A exig\u00eancia de Apps funcionais e user-friendly \u00e9 irrevers\u00edvel. Operadoras de arranjo aberto devem desenvolver interfaces que, mesmo sem uma rede propriet\u00e1ria fixa, ofere\u00e7am servi\u00e7os de geolocaliza\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o financeira robustos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Estrat\u00e9gia Comercial:<\/strong> Preparem-se para competir em cen\u00e1rios onde a capilaridade da rede n\u00e3o \u00e9 mais o diferencial, mas sim a taxa administrativa, a qualidade do atendimento e a seguran\u00e7a da plataforma.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>10. CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ac\u00f3rd\u00e3o 2612\/2025 do TCU representa o amadurecimento da compreens\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os de controle sobre a revolu\u00e7\u00e3o digital nos meios de pagamento. Ao chancelar a possibilidade de contrata\u00e7\u00e3o exclusiva de arranjos abertos, o Tribunal privilegia a efici\u00eancia econ\u00f4mica e a moderniza\u00e7\u00e3o em detrimento da preserva\u00e7\u00e3o de modelos de neg\u00f3cios tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A mensagem final \u00e9 clara: a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica n\u00e3o \u00e9 ref\u00e9m de formatos legados. A inova\u00e7\u00e3o, quando traz economicidade (taxas menores), seguran\u00e7a jur\u00eddica e melhoria na ponta para o trabalhador (liberdade de escolha e ampla rede), tem passagem garantida pelos crivos de auditoria e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Este precedente deve nortear as contrata\u00e7\u00f5es de benef\u00edcios alimentares no Brasil pelos pr\u00f3ximos anos, acelerando a migra\u00e7\u00e3o para modelos mais flex\u00edveis e interoper\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Este material foi elaborado com base na \u00edntegra do Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 2612\/2025 \u2013 TCU \u2013 Plen\u00e1rio. A reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 permitida desde que citada a fonte.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c1rea: Direito Administrativo, Licita\u00e7\u00f5es e Contratos, Compliance Regulat\u00f3rio<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Este conte\u00fado contou com assist\u00eancia de IA na reda\u00e7\u00e3o e foi revisado tecnicamente por Roberta Luanda Ambr\u00f3sio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\"><\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Roberta Luanda Ambr\u00f3sio[1] Tema: Programa de Alimenta\u00e7\u00e3o do Trabalhador (PAT), Arranjos de Pagamento (Aberto vs. Fechado), Discricionariedade Administrativa e [&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":93,"featured_media":2681,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[894,908,913,748],"tags":[],"coauthors":[755],"class_list":["post-2623","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-compliance","category-contratos-administrativos","category-direito-administrativo","category-licitacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2623","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/93"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2623"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2623\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2624,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2623\/revisions\/2624"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2623"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2623"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2623"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/jmlgrupo.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=2623"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}