23/09/2026
CGU/PF. Nova fase da Operação Ptolomeu investiga superfaturamento e desvios na construção de sede pública no Acre
Notícia postada em 23/09/2026
Autorizada pelo STJ, ofensiva cumpre 12 mandados de busca em três estados, bloqueia bens e afasta servidores; auditoria identificou mais de R$ 1 milhão pagos por serviços não executados.
A Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) deflagraram a Operação Ptolomeu IV, etapa desdobrada de investigação voltada a apurar crimes contra a administração pública, fraude em licitações, corrupção, lavagem de capitais e organização criminosa. O foco das apurações recai sobre os contratos administrativos firmados para as obras de construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (IMAC).
As ordens judiciais decorrem de decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que expediu 12 mandados de busca e apreensão cumpridos nos municípios de Rio Branco (AC), Maringá (PR) e Navegantes (SC).
A Corte Superior também autorizou o sequestro e bloqueio de ativos financeiros e bens para assegurar o futuro ressarcimento ao erário, além de fixar medidas cautelares diversas da prisão contra os investigados — incluindo o afastamento de agentes públicos de seus cargos, proibição de contato entre os investigados, impedimento de acesso a determinadas repartições estatais e retenção de passaportes com proibição de ausentar-se do país e de suas comarcas de residência.
Inexecução contratual e suspeita de sucessão empresarial
Os levantamentos de auditoria conduzidos pela CGU identificaram irregularidades graves na gestão e na fiscalização das obras da sede do órgão ambiental acreano:
- Superfaturamento por inexecução: Constatou-se prejuízo superior a R$ 1 milhão decorrente da medição e liquidação financeira de serviços de engenharia que não foram efetivamente prestados ou concluídos no canteiro de obras.
- Manobra societária: Após a rescisão ou paralisação do contrato original, uma segunda empresa de engenharia foi contratada pela administração pública para finalizar o empreendimento. Elementos colhidos pelos investigadores apontam indícios de sucessão empresarial simulada para manter ativo o esquema delituoso apurado nas etapas antecedentes da Operação Ptolomeu.
- Desvio e vantagens indevidas: As análises financeiras reuniram evidências de que montantes desviados dos cofres públicos foram destinados ao custeio de despesas estritamente particulares e ao pagamento de propinas a agentes públicos estaduais.
Canais de cooperação e denúncia
A CGU recebe manifestações, documentos e relatos complementares sobre a Operação Ptolomeu IV ou sobre outras suspeitas de mau uso de recursos públicos por meio da Ouvidoria-Geral da União (OGU), na plataforma integrada Fala.BR:
- Registro sob sigilo: O sistema permite a formalização de denúncias anônimas mediante a escolha da modalidade “Não identificado”.
- Instruções de envio: No menu “Sobre qual assunto você quer falar”, deve-se assinalar a alternativa “Operações CGU”; no campo textual “Fale aqui”, basta informar o nome da ação (Operação Ptolomeu IV) e a unidade federativa da ocorrência.